Flash + OpenBSD

Antes de mais nada, eu não gosto de Flash. Realmente, não. Muuuito raramente um indivíduo consegue utilizá-lo de forma apropriada e para resolver o problema de forma correta. Um bom exemplo é o YouTube, um lugar onde Flash é usado com propriedade para fazer coisas legais, no caso, mostrar vídeos para os usuários. Há outros casos, é evidente, mas esse é um dos mais emblemáticos.

No mais, 98% dos casos de uso do Flash são para fazer menus e/ou sites inteiros ficarem mais pesados, mais irritantes, mais incompatíveis com engines de busca e mais incompatíveis como todo tipo de navegador e sistema operacional. Poucas coisas me irritam mais do que um site TODO em Flash. É como se o dono do site quisesse manter uma parcela da população da web, minha pessoa inclusa, bem longe de lá.

Não é como se esses sites precisassem ser em Flash, como se tivessem alguma funcionalidade que de outra forma não poderia ser vista (como vídeos, ou joguinhos). Não. Na maioria dos casos são apenas textos e fotos, coisa que o nosso amigo HTML já faz há muuuito tempo, e de forma bem mais amigável.

No entanto, é alarmante o número de clientes que me chegam (ou que se vê na web por aí) querendo que o site fosse em Flash para ficar “bonito” ou “legal”. Não adiantam argumentos de compatibilidade, acessibilidade ou banda de transferência — ser “cool” é muito mais importante, não é mesmo? Não, não é não.

O motivo primordial para se acessar uma página da web, seja ela qual for, é visualizar a informação ali contida. De nada adianta um site sen-sa-cio-nal que não tem nada pra ser lido, ou visto. É inútil. E, no entanto, é exatamente essa visão que muitas pessoas têm de um site: que deve ser bonito, e o resto é conversa. Não acho que meus pontos de vista sejam absolutamente corretos em quase nada, mas esse é um deles: o conteúdo do site É mais importante que seu visual, e muito. De certa forma, esse não-template do blog é uma forma de manifestar essa opinião.

Permita-me explicar melhor os pontos de contenda, primeiro:

  • Sites em Flash são mais pesados: certo, não estou dizendo que são necessariamente mais pesados em termos de bytes a serem baixados da web; no entanto, Flash é um formato binário, you know, então para rodá-lo do lado do cliente deve-se carregar uma aplicação adicional ao browser. Fosse o site em HTML puro, todas as ferramentas para renderizar a página já estariam carregadas previamente.
  • Sites em Flash são menos compatíveis com ferramentas de busca: sites em Flash não podem ter todas as suas páginas, menus e informações adicionais indexadas por engines de busca como o Google, porque, como dito anteriormente, o formato é binário. Portanto, o site é menos “encontrável’ que suas contrapartes não-flash.
  • Sites em Flash são menos compatíveis com browsers e sistemas operacionais: para quem lê o blog já não é novidade, mas SABIA que há outros browsers além do Internet Explorer/Firefox/Opera/Safari e outros sistemas operacionais além do Windows/Linux/Mac OS? Shocking, huh? Por que dificultar a vida de quem resolver usar alguma variante *BSD ou acessar seu website através de um browser modo texto se você pode facilitar a vida desse pessoal?
  • Sites em Flash fazem com que eu nunca mais os visite: seriously, i mean it.

Vamos aos exemplos práticos: quer ver um site que, além de prover as informações de forma bem acessível, não dificulta a vida de nenhum usuário, em momento algum: http://openbsd.org (OK, essa foi fácil, eu sei, além de muito previsível…). Mas, afora quaisquer brincadeiras, funciona bem em qualquer tipo de browser ou sistema operacional, é leve, renderizado muito rapidamente… pode até não ser lá tão bonito, mas isso está aberto a muita discussão e especulação — os demais parâmetros são um tanto quanto mais objetivos.

Do outro lado da moeda, não é muito difícil achar sites que deliberadamente resolvem dificultar a vida de um monte de gente. Nesta data (Tue Jan 27 10:16:05 BRST 2009), sites como o da Volkswagen, Honda (aliás, qual a necessidade do menu ser em Flash?) e NVidia estão tomando esse rumo. Perdi a paciência de procurar outros exemplos depois que o navegador travou… tenho mais o que fazer, vai.

$ pkg_info | grep gnash
gnash-0.8.3p1       flash player with firefox browser plugin

Minha concessão máxima pra esse tipo de site… se funcionar, bem, se não funcionar amém. Cheers!

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2 pensamentos sobre “Flash + OpenBSD

  1. P. P. disse:

    Quanto ódio contra o Flash! Não irei contestar cada um dos pontos devido à subjetividade dos mesmos, no entanto é válido mencionar que o Google faz a busca em arquivos Flash, sim! Fonte: http://googlewebmastercentral.blogspot.com/2008/06/improved-flash-indexing.html

  2. fbscarel disse:

    Primeiramente obrigado pelo comentário, P. P.! Lógico que com um email @luvsflash.com não daria pra esperar um comentário CONTRÁRIO ao Flash, but no worries. Li o link que você passou e, realmente, parece que a indexação do Google com relação ao Flash está tendo alguma melhoria.

    Mas ainda vejo vários problemas: se, ao invés de aderir aos padrões os webdesigners resolverem usar a tecnologia-mais-recente-do-momento (Flash, ou Silverlight, ou whatever), o Google (ou qualquer outra empresa que fornece engines de busca) terá que desenvolver um novo módulo para sua aplicação ficar compatível com a tecnologia. Desnecessário. Fora que dificulta a entrada de outros competidores no mercado de busca (como eu, ou você) não por possuir um algoritmo de busca melhor ou pior, mas simplesmente por não estar apto a lidar com uma tecnologia não-padronizada como essa.

    Os outros argumentos contra Flash continuam válidos, pelo jeito. E não são subjetivos não… fica até difícil serem mais objetivos do que já o são.

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